BI-RADS: entenda o resultado e saiba o que fazer depois

BI-RADS: entenda o resultado e saiba o que fazer depois

O que é BI-RADS?

BI-RADS é um sistema utilizado para padronizar a descrição dos exames de imagem das mamas. A sigla vem do inglês Breast Imaging Reporting and Data System.

Desenvolvido pelo American College of Radiology (ACR), o sistema cria uma linguagem comum para radiologistas e outros profissionais de saúde, facilitando a comunicação sobre achados da mamografia, do ultrassom e da ressonância das mamas.

Em 2025, o ACR publicou o BI-RADS v2025, atualização que também contempla a mamografia contrastada.

Na prática, a classificação organiza os achados em categorias de 0 a 6 e associa cada categoria a uma recomendação de conduta.

O ponto mais importante é: a classificação não deve ser confundida com o estágio do câncer nem, na maioria das categorias, com um diagnóstico definitivo.

Onde essa classificação aparece no exame da mama?

Ela costuma aparecer na parte final do laudo, depois da descrição das imagens.

O radiologista analisa características como nódulos, assimetrias, calcificações, distorções e outras alterações. Depois, atribui uma categoria final para resumir o nível de suspeição e indicar o próximo passo.

O sistema pode ser utilizado em:

  • mamografia;
  • ultrassonografia mamária;
  • ressonância magnética das mamas;
  • mamografia contrastada.

Por isso, BI-RADS mamografia é uma busca muito comum, mas o sistema não pertence exclusivamente à mamografia.

O que significam as categorias de 0 a 6?

De forma simplificada:

CategoriaSignificadoConduta geralmente associada
0Avaliação incompletaImagens ou exames adicionais
1Resultado negativoRastreamento de rotina
2Achado benignoRastreamento de rotina
3Provavelmente benignoControle em intervalo menor
4Achado suspeitoBiópsia deve ser considerada
5Altamente sugestivo de malignidadeBiópsia fortemente indicada
6Câncer já confirmado por biópsiaAcompanhamento e tratamento

Essa tabela ajuda a entender rapidamente o resultado, mas cada categoria precisa ser interpretada junto com o restante do laudo e o contexto clínico da paciente.

Categoria 0: por que o exame pode precisar de complementação?

A categoria 0 significa que a avaliação ainda não está completa.

Isso pode acontecer quando o radiologista precisa:

  • realizar novas incidências da mamografia;
  • ampliar uma área específica;
  • aplicar compressão localizada;
  • solicitar ultrassom;
  • comparar com exames anteriores.

Receber essa classificação não significa que câncer foi encontrado. Significa apenas que ainda faltam informações para chegar a uma conclusão definitiva.

Categoria 1: o que significa um resultado negativo?

A categoria 1 indica que não foram identificados achados suspeitos no exame.

Em uma mamografia de rastreamento, a orientação costuma ser continuar o acompanhamento de rotina de acordo com idade, risco individual e recomendação médica.

Ainda assim, nenhum exame detecta 100% das alterações. Se surgir um sintoma novo, como nódulo, secreção suspeita ou retração do mamilo, procure avaliação médica mesmo após um exame recente.

Categoria 2: o achado é benigno?

Sim. A categoria 2 é utilizada quando o radiologista identifica uma alteração com características benignas.

Podem aparecer nessa classificação, por exemplo:

  • alguns cistos;
  • calcificações tipicamente benignas;
  • linfonodos de aspecto habitual;
  • outras alterações sem características suspeitas.

A conduta costuma ser manter o rastreamento de rotina.

Categoria 3: significa câncer?

Não.

A categoria 3 significa provavelmente benigno. O risco estimado de malignidade é de até aproximadamente 2%.

Nesses casos, o profissional pode recomendar um novo exame em intervalo menor, frequentemente em cerca de seis meses, para confirmar que o achado permanece estável.

Esse acompanhamento não significa que um câncer já foi diagnosticado. A finalidade é observar o comportamento da alteração ao longo do tempo.

Quando um resultado provavelmente benigno precisa de acompanhamento?

A decisão depende de fatores como:

  • aparência da alteração;
  • comparação com exames anteriores;
  • idade;
  • histórico pessoal e familiar;
  • evolução do achado;
  • risco individual.

Por isso, o intervalo de acompanhamento deve seguir a recomendação registrada no laudo e a orientação do profissional responsável.

Categoria 4: por que pode ser indicada uma biópsia?

A categoria 4 indica um achado suspeito.

Isso não significa que a paciente tenha câncer. Significa que a alteração possui características suficientes para justificar uma análise do tecido.

Essa categoria pode ser dividida em:

4A

Baixo grau de suspeição, com probabilidade de malignidade acima de 2% e até 10%.

4B

Suspeição intermediária, com probabilidade acima de 10% e até 50%.

4C

Maior grau de suspeição, com probabilidade acima de 50% e abaixo de 95%.

A biópsia permite retirar uma amostra da região e verificar no laboratório se as células são benignas ou malignas.

Categoria 5 confirma câncer?

Ainda não.

A categoria 5 indica que o achado é altamente sugestivo de malignidade, com probabilidade estimada de pelo menos 95%.

Por isso, a investigação com biópsia é fortemente recomendada.

Existe uma diferença importante:

imagem altamente suspeita não é o mesmo que diagnóstico histológico confirmado.

Na maior parte dos casos, é a análise do tecido que confirma o diagnóstico.

Categoria 6: por que ela é diferente?

A categoria 6 é usada quando o câncer já foi confirmado por biópsia.

Ela pode aparecer em exames realizados para:

  • planejamento do tratamento;
  • avaliação da extensão da doença;
  • acompanhamento durante o tratamento;
  • análise da resposta terapêutica.

Portanto, essa classificação não representa uma nova suspeita. Ela informa que a alteração avaliada já possui comprovação histológica.

Quanto maior o número, pior é o estágio do câncer?

Não.

Essa é uma confusão frequente.

A classificação BI-RADS não corresponde aos estágios do câncer de mama.

O sistema serve para organizar achados de imagem e orientar os próximos passos.

Já o estadiamento do câncer utiliza outras informações, como:

  • tamanho do tumor;
  • comprometimento dos linfonodos;
  • presença ou ausência de metástases;
  • características biológicas da doença.

Portanto, uma categoria 5 não significa “câncer estágio 5”.

O mesmo sistema é usado em mamografia, ultrassom e ressonância?

Sim.

A classificação pode ser aplicada a diferentes modalidades de imagem das mamas, embora cada exame avalie características distintas.

Isso significa que uma paciente pode realizar mamografia e ultrassom durante a mesma investigação.

Os resultados dos diferentes exames são correlacionados pelo radiologista para chegar à avaliação mais adequada.

O resultado pode mudar depois de novos exames?

Sim.

A avaliação representa as informações disponíveis naquele momento.

Ela pode mudar depois de:

  • imagens adicionais;
  • comparação com exames antigos;
  • ultrassom;
  • ressonância;
  • acompanhamento ao longo do tempo;
  • biópsia.

Um exemplo comum é a categoria 0: após os exames complementares, o radiologista consegue atribuir uma categoria definitiva.

Isso não significa necessariamente que a alteração piorou. Muitas vezes, apenas existem mais informações para classificá-la corretamente.

Por que levar exames anteriores é importante?

Mamografias antigas ajudam o radiologista a avaliar se uma alteração:

  • já existia;
  • permaneceu estável;
  • aumentou;
  • mudou de aparência;
  • surgiu recentemente.

A estabilidade ao longo do tempo pode ser uma informação importante na avaliação de nódulos, assimetrias e calcificações.

Sempre que possível, leve os exames anteriores ao serviço de imagem.

BI-RADS e densidade mamária são a mesma coisa?

Não.

Além do resultado BI-RADS, o laudo pode informar a densidade da mama.

A densidade costuma ser descrita pelas letras A, B, C e D:

  • A: mamas predominantemente gordurosas;
  • B: áreas dispersas de tecido fibroglandular;
  • C: mamas heterogeneamente densas;
  • D: mamas extremamente densas.

São duas informações diferentes.

A densidade descreve a composição do tecido mamário. A categoria final resume a avaliação dos achados de imagem e orienta a conduta.

O que fazer depois de receber o laudo?

O primeiro passo é observar a recomendação registrada pelo radiologista.

De maneira geral:

  • categoria 0: completar a investigação;
  • categorias 1 e 2: seguir o rastreamento indicado;
  • categoria 3: realizar o controle no intervalo recomendado;
  • categoria 4: discutir a realização de biópsia;
  • categoria 5: prosseguir rapidamente com a confirmação diagnóstica;
  • categoria 6: seguir a avaliação e o tratamento do câncer já confirmado.

O resultado BI-RADS deve sempre ser interpretado junto com o restante do laudo e o histórico da paciente.

Posso interpretar apenas o número do exame?

Não é o ideal.

Conhecer o significado geral das categorias ajuda a compreender o laudo, mas o número sozinho não conta toda a história.

É importante considerar:

  • o tipo de alteração encontrada;
  • a descrição radiológica;
  • os exames anteriores;
  • os sintomas;
  • a idade;
  • o histórico familiar;
  • o risco individual;
  • a recomendação final.

A avaliação médica integra todas essas informações.

Quando uma biópsia pode ser necessária?

A biópsia costuma ser considerada principalmente quando a imagem apresenta características suspeitas.

Isso acontece com frequência nas categorias 4 e 5.

O procedimento retira uma amostra da região para análise histopatológica.

É essa análise que permite determinar se o tecido é benigno ou maligno.

Por isso, receber uma recomendação de biópsia não equivale a receber um diagnóstico de câncer.

Perguntas frequentes sobre BI-RADS

O que significa essa sigla na mamografia?

É um sistema padronizado de classificação dos exames de imagem das mamas. As categorias de 0 a 6 ajudam a resumir o nível de suspeição e indicar os próximos passos.

Categoria 0 significa câncer?

Não. Significa que são necessárias informações ou imagens adicionais.

Categoria 1 é normal?

Sim. É considerada uma avaliação negativa, sem achados suspeitos.

Categoria 2 é benigno?

Sim. Existe um achado, mas com características benignas.

Categoria 3 é preocupante?

Representa um achado provavelmente benigno, com risco estimado de malignidade de até cerca de 2%. Geralmente é feito acompanhamento por imagem.

Categoria 4 é câncer?

Não. É uma alteração suspeita que normalmente precisa de biópsia para esclarecimento.

Qual a diferença entre 4A, 4B e 4C?

As subdivisões indicam níveis progressivamente maiores de suspeição, mas nenhuma delas confirma câncer sozinha.

Categoria 5 confirma câncer?

Não. É altamente sugestiva de malignidade, mas normalmente precisa de confirmação por biópsia.

Categoria 6 significa o quê?

Significa que o câncer já foi confirmado anteriormente por análise do tecido.

BI-RADS é usado somente na mamografia?

Não. O sistema também é utilizado em ultrassonografia e ressonância das mamas e, na versão atual, contempla mamografia contrastada.

Conclusão

O BI-RADS foi criado para tornar os resultados dos exames de imagem das mamas mais padronizados e facilitar a definição dos próximos passos.

As categorias 1 e 2 representam avaliações negativas ou benignas. A categoria 3 costuma exigir acompanhamento. As categorias 4 e 5 indicam necessidade de investigação mais detalhada, frequentemente com biópsia. Já a categoria 6 é usada quando o câncer foi confirmado anteriormente.

A categoria 0, por sua vez, indica que ainda são necessárias informações adicionais.

Ao receber um resultado BI-RADS, evite interpretar apenas o número. Leia a recomendação completa do laudo e converse com o profissional responsável pelo seu acompanhamento.

Recebeu um resultado de exame da mama e ficou com dúvidas sobre a classificação?

Leve o laudo e, se possível, seus exames anteriores ao ginecologista, mastologista ou profissional responsável.

Acompanhe os conteúdos do CEON — Centro de Oncologia do ABC para acessar informações confiáveis sobre exames, prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer.

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