Uma das informações mais importantes que uma paciente recebe após o diagnóstico é o subtipo do câncer de mama. Isso porque o câncer de mama não é uma doença única, mas um conjunto de doenças com comportamentos, tratamentos e prognósticos diferentes. A classificação câncer de mama por subtipo que analisa a presença de receptores hormonais, da proteína HER2 e do índice de proliferação define qual terapia será mais eficaz para cada caso. Conhecer os tipos de câncer de mama e entender por que o subtipo importa transforma o paciente em participante ativo das decisões sobre o próprio tratamento.
O que são os tipos de câncer de mama?
Os tipos de câncer de mama podem ser classificados de duas formas principais: pela localização e origem das células tumorais (classificação histológica) e pelas características moleculares do tumor (classificação por subtipo). As duas informações são complementares e essenciais para o planejamento do tratamento.
Classificação câncer de mama por tipo histológico
A primeira camada da classificação câncer de mama considera onde o tumor se originou e se ele invadiu os tecidos vizinhos.
Carcinoma ductal in situ (CDIS)
As células cancerígenas estão confinadas aos ductos mamários, sem invadir o tecido ao redor. Não é um câncer invasivo é considerado uma lesão precursora. O tratamento é local (cirurgia, com ou sem radioterapia) e as taxas de cura são próximas de 100%.
Carcinoma ductal invasivo (CDI)
É o tipo de tumor de mama mais comum responsável por cerca de 70% a 80% dos casos. O tumor se origina nos ductos e invade o tecido mamário adjacente, podendo se espalhar para linfonodos e outros órgãos. O tratamento combina cirurgia, radioterapia e terapia sistêmica conforme o subtipo molecular.
Carcinoma lobular invasivo (CLI)
Origina-se nos lóbulos (glândulas produtoras de leite) e invade o tecido adjacente. Corresponde a cerca de 10% a 15% dos casos. Costuma ser mais difícil de detectar em exames de imagem e pode apresentar padrão de crescimento difuso, sem formar um nódulo bem definido.
Tipos menos comuns
- Carcinoma mucinoso: tumor com produção de muco, geralmente de melhor prognóstico
- Carcinoma tubular: bem diferenciado, de bom prognóstico
- Carcinoma medular: mais comum em portadoras de mutação BRCA1
- Carcinoma papilífero: mais frequente em mulheres mais velhas
- Doença de Paget: alteração do mamilo associada a carcinoma subjacente
- Câncer de mama inflamatório: forma rara e agressiva, que se apresenta com vermelhidão, inchaço e aspecto de casca de laranja na mama
Subtipos câncer de mama: a classificação molecular
A classificação molecular é a mais importante para o tratamento, pois define quais terapias serão eficazes. Ela analisa três marcadores:
- Receptores de estrogênio (RE) e progesterona (RP): se presentes, o tumor responde à hormonioterapia
- HER2: proteína que, quando superexpressa, indica resposta à terapia-alvo anti-HER2
- Ki67: índice de proliferação celular, que indica a agressividade do tumor
Com base nesses marcadores, os subtipos câncer de mama são:
Luminal A
- RE positivo, RP positivo, HER2 negativo, Ki67 baixo
- É o subtipo mais comum e de melhor prognóstico
- Responde bem à hormonioterapia; quimioterapia nem sempre é necessária
Luminal B
- RE positivo, RP variável, HER2 positivo ou Ki67 alto
- Prognóstico intermediário
- Tratamento com hormonioterapia + quimioterapia (+ terapia anti-HER2 quando HER2 positivo)
HER2-enriquecido
- RE negativo, RP negativo, HER2 positivo
- Tumor mais agressivo, mas responde muito bem à terapia-alvo anti-HER2 (trastuzumabe, pertuzumabe, T-DM1)
- Tratamento combina terapia-alvo + quimioterapia
Triplo-negativo
- RE negativo, RP negativo, HER2 negativo
- Subtipo mais agressivo e sem os alvos de hormonioterapia ou terapia anti-HER2
- Tratamento principal é a quimioterapia; imunoterapia está disponível para alguns casos
- Mais frequente em mulheres jovens e em portadoras de mutação BRCA1
Por que conhecer o subtipo do tumor é importante?
Conhecer o subtipo do tumor de mama muda completamente a abordagem terapêutica:
- Define a terapia mais eficaz: hormonioterapia para luminais, terapia-alvo para HER2, quimioterapia e imunoterapia para triplo-negativo
- Evita tratamentos desnecessários: tumores luminais A de baixo risco podem dispensar quimioterapia, poupando o paciente de efeitos colaterais
- Informa o prognóstico: cada subtipo tem comportamento e riscos de recidiva diferentes
- Orienta o acompanhamento: subtipos mais agressivos exigem vigilância mais próxima
- Abre portas para a medicina de precisão: o perfil molecular permite tratamentos cada vez mais personalizados
A informação do subtipo vem do laudo anatomopatológico, obtido por meio da biópsia ou da peça cirúrgica. É por isso que a biópsia é tão importante: sem ela, não há subtipo e sem subtipo, não há tratamento direcionado.
Perguntas frequentes
1. Quantos tipos de câncer de mama existem?
Existem vários tipos de câncer de mama classificados por origem (ductal, lobular, etc.) e por subtipo molecular (Luminal A, Luminal B, HER2-enriquecido, triplo-negativo). A combinação dessas classificações orienta o tratamento.
2. Qual o tipo de câncer de mama mais comum?
O carcinoma ductal invasivo é o tipo histológico mais comum (70% a 80% dos casos). O subtipo molecular mais frequente é o Luminal A.
3. O que é o subtipo triplo-negativo?
É um subtipo câncer de mama em que o tumor não apresenta receptores hormonais nem HER2. É mais agressivo, mas responde à quimioterapia e, em alguns casos, à imunoterapia.
4. Como descobrir o subtipo do meu tumor?
O subtipo é definido pelo laudo anatomopatológico, que analisa os marcadores (RE, RP, HER2, Ki67) na amostra obtida por biópsia ou cirurgia. O mastologista e o oncologista explicam o resultado e o plano de tratamento.
5. O subtipo pode mudar durante o tratamento?
Em alguns casos, especialmente na recidiva ou metástase, o tumor pode apresentar alterações nos receptores. Por isso, a reavaliação do subtipo na doença metastática é recomendada.
Os tipos de câncer de mama são muitos, e a classificação câncer de mama por subtipo molecular é o que torna o tratamento verdadeiramente personalizado. Conhecer o tipo de tumor de mama histológico e molecular define a terapia mais eficaz, informa o prognóstico e evita tratamentos desnecessários. Os subtipos câncer de mama (Luminal A, Luminal B, HER2-enriquecido e triplo-negativo) são a chave para a medicina de precisão na oncologia. Para a paciente, entender essa informação é empoderamento: permite participar das decisões com clareza e confiança, ao lado da equipe médica.
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