Câncer de mama HER2 positivo: o que significa?

Câncer de mama HER2 positivo: o que significa?

Receber o diagnóstico de câncer de mama HER2 positivo costuma trazer uma segunda onda de dúvidas. Depois de entender que existe um tumor, aparecem novos termos no laudo: receptores hormonais, HER2, grau, estágio, Ki-67 e outras informações que podem parecer difíceis à primeira leitura.

Mas esses dados existem por um motivo importante.

Hoje, não basta saber apenas que uma pessoa tem câncer de mama. Os médicos procuram entender as características biológicas daquele tumor para definir uma estratégia mais individualizada.

O HER2 faz parte dessa avaliação.

HER2 não é o nome de um novo tipo de câncer

HER2 é uma proteína encontrada na superfície de algumas células e relacionada aos sinais que participam do crescimento celular.

Em determinados tumores de mama, existem níveis elevados dessa proteína ou alterações relacionadas ao gene responsável por sua produção.

Quando isso acontece, o tumor pode ser classificado como HER2 positivo.

O INCA destaca que a avaliação do HER2, assim como dos receptores de estrogênio e progesterona, é uma das informações utilizadas para orientar a escolha do tratamento sistêmico do câncer de mama.

Isso significa que saber o status do HER2 não serve apenas para descrever o tumor.

Essa informação pode abrir caminhos específicos de tratamento.

Como descobrimos se um tumor é HER2 positivo?

Normalmente, essa informação vem da análise do material obtido na biópsia ou na cirurgia.

O patologista examina o tecido tumoral e realiza testes capazes de avaliar a presença da proteína HER2 ou alterações relacionadas ao gene.

Um dos exames mais utilizados é a imunohistoquímica.

O resultado pode indicar diferentes níveis de expressão e, em determinadas situações, outro teste pode ser necessário para esclarecer o resultado.

Por isso, não é recomendado tentar interpretar isoladamente uma palavra ou um número presente no anatomopatológico.

O resultado precisa ser visto em conjunto com todo o laudo.

Por que o câncer de mama HER2 positivo recebe tanta atenção?

Historicamente, tumores com expressão elevada de HER2 apresentavam características biológicas diferentes de outros cânceres de mama.

O cenário mudou de maneira importante com o desenvolvimento das terapias direcionadas ao HER2.

A descoberta do papel dessa proteína levou ao desenvolvimento de medicamentos capazes de atingir especificamente essa característica da célula tumoral, como o trastuzumabe e, posteriormente, outros tratamentos anti-HER2.

Esse é um bom exemplo de como a oncologia passou de uma visão baseada apenas no órgão onde o câncer apareceu para uma abordagem que também considera características moleculares.

Ter HER2 positivo é bom ou ruim?

Essa pergunta é comum, mas a resposta não cabe em “bom” ou “ruim”.

O resultado indica uma característica biológica do tumor.

Ele pode estar relacionado ao comportamento da doença, mas também identifica um alvo que pode ser explorado terapeuticamente.

Por isso, atualmente, conhecer o HER2 é fundamental para selecionar determinados tratamentos.

O prognóstico individual não é definido apenas por esse marcador.

Também entram na avaliação:

  • tamanho do tumor;
  • comprometimento ou não dos linfonodos;
  • presença de doença em outros órgãos;
  • receptores hormonais;
  • grau do tumor;
  • resposta aos tratamentos realizados;
  • idade e condições gerais da paciente.

Ou seja, duas pessoas com câncer de mama HER2 positivo podem ter situações clínicas bastante diferentes.

O tratamento é igual para todas?

Não.

Essa é uma das ideias mais importantes para entender o tratamento moderno do câncer de mama.

O INCA ressalta que a escolha terapêutica depende da extensão da doença, das características biológicas do tumor e das condições da própria paciente.

Em determinadas situações, podem ser combinadas diferentes modalidades, como cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapias direcionadas ao HER2.

A ordem também pode variar.

Em alguns casos, o tratamento sistêmico é iniciado antes da cirurgia. Essa estratégia é chamada de tratamento neoadjuvante.

Em outros, a cirurgia ocorre primeiro e medicamentos são utilizados posteriormente.

Terapia-alvo: por que esse nome?

Imagine que determinadas células tumorais apresentem uma característica que ajuda a estimular seu crescimento.

Se um medicamento consegue reconhecer ou bloquear especificamente essa característica, temos uma estratégia mais direcionada.

É daí que vem a expressão terapia-alvo.

No câncer de mama HER2 positivo, existem medicamentos desenvolvidos justamente para interferir na via relacionada ao HER2.

Isso não significa que eles sejam utilizados isoladamente em todos os casos.

Dependendo da situação, podem ser combinados a outros tratamentos.

HER2 positivo significa que será necessário fazer quimioterapia?

Não é possível responder apenas olhando o HER2.

A decisão depende de todo o cenário clínico.

O NCI explica que pessoas com tumores HER2 positivos podem receber quimioterapia associada a tratamentos direcionados ao HER2, especialmente em determinados cenários, mas a estratégia é individualizada conforme estágio, características do tumor e outros fatores.

É justamente por isso que comparar tratamentos entre pacientes pode causar confusão.

Duas pessoas podem dizer “tenho HER2 positivo” e receber planos diferentes.

Isso não significa necessariamente que uma esteja sendo tratada de maneira mais ou menos intensa.

Significa que existem outras informações sendo consideradas.

O papel dos receptores hormonais

HER2 não é analisado sozinho.

Outro ponto importante é verificar se o tumor apresenta receptores para estrogênio ou progesterona.

É possível, por exemplo, um tumor ser HER2 positivo e também possuir receptores hormonais positivos.

Nesse cenário, diferentes vias biológicas podem fazer parte da estratégia terapêutica.

Por outro lado, tumores que não possuem receptores hormonais podem exigir uma abordagem diferente.

A combinação dessas informações ajuda a construir uma espécie de “identidade biológica” do tumor.

E o chamado HER2-low?

Nos últimos anos, outro termo passou a aparecer com maior frequência: HER2-low.

Ele é usado para descrever determinados tumores que não são classificados como HER2 positivos nos critérios tradicionais, mas apresentam algum nível de expressão da proteína.

Essa distinção ganhou relevância porque determinadas terapias mais recentes podem ter indicação em contextos específicos de doença avançada.

Isso mostra como as classificações do câncer de mama continuam evoluindo.

Porém, HER2 positivo e HER2-low não são sinônimos.

A interpretação precisa ser feita pela equipe médica a partir do laudo e da situação clínica.

HER2 pode mudar ao longo da doença?

Em algumas situações, as características biológicas identificadas inicialmente podem diferir das encontradas posteriormente.

É um dos motivos pelos quais, dependendo do contexto, a equipe pode discutir uma nova biópsia de uma lesão que surgiu durante a evolução da doença.

Essa decisão não é necessária para todas as pessoas.

Ela depende de onde está a lesão, da segurança do procedimento e de quanto aquela informação pode alterar a estratégia terapêutica.

Onde entra a pesquisa clínica?

O desenvolvimento dos tratamentos anti-HER2 é também uma história de pesquisa clínica.

Novos medicamentos, combinações e estratégias continuam sendo estudados.

O próprio INCA mantém protocolos clínicos envolvendo diferentes subtipos de câncer de mama, inclusive estudos voltados a características moleculares específicas.

Participar de um estudo, porém, depende de critérios definidos no protocolo.

Não basta ter determinado diagnóstico para ser automaticamente elegível.

Idade, tratamentos anteriores, características do tumor, exames laboratoriais e outras condições podem fazer parte da avaliação.

Cinco perguntas úteis para levar à consulta

Quando o laudo mostra câncer de mama HER2 positivo, algumas perguntas podem ajudar a organizar a conversa com o oncologista:

  1. Meu tumor também apresenta receptores hormonais?
  2. Qual é o estágio da doença?
  3. O tratamento deve começar antes ou depois da cirurgia?
  4. Existe indicação de alguma terapia direcionada ao HER2 no meu caso?
  5. Como saberemos se o tratamento está funcionando?

Não é necessário entender toda a oncologia antes da consulta.

O importante é sair dela compreendendo quais informações são relevantes para o seu caso.

O que vale guardar desse resultado

Ter câncer de mama HER2 positivo não define sozinho o futuro de uma pessoa.

O resultado representa uma das características utilizadas para compreender o tumor.

E, atualmente, essa característica também pode indicar possibilidades específicas de tratamento.

A medicina personalizada começa justamente aí: em entender que tumores encontrados no mesmo órgão podem apresentar comportamentos e respostas diferentes.

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